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O jornalismo digital em Portugal ainda não retira todas as potencialidades da Internet. Uma das razões é a falta de um modelo de negócio que viabilize estes projectos. A vertente multimédia é pouco explorada. O vídeo só existe nos sites de televisão e o som apenas nos de rádio, aponta o professor universitário João Canavilhas.
O jornalismo online em Portugal já tem mais de uma década de existência, contudo esta técnica ainda tem um longo caminho a percorrer até se chegar ao modelo multimédia. É, pelo menos essa, a opinião do professor universitário João Canavilhas.
“O hipertexto ainda é pouco utilizado, os comentários são muito condicionados e até o contacto com os jornalistas é difícil, já que raramente assinam as peças com o endereço electrónico.”, afirma Canavilhas que lecciona no curso de Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior.
As publicações online feitas em Portugal obedecem à nova linguagem web, mas ainda precisam de adquirir algumas potencialidades. A dificuldade no desenvolvimento desta técnica em Portugal está relacionada com a inexistência de um modelo de negócio que viabilize estes projectos e com a falta de profissionais qualificados nesta área.
“Actualmente, as publicações online portuguesas têm duas características: a instantaneidade, o seu funcionamento como memória (repositório de informação pesquisável) e a interactividade, embora num baixo grau de interacção”, acrescenta aquele professor.
As publicações online mantêm as características dos jornais, embora se detectem algumas diferenças como o facto de as actualizações serem mais frequentes, haver sempre a ligação a outras notícias relacionadas e de haver a possibilidade de comentar as notícias.
“No campo multimédia, a oferta de vídeo resume-se aos sites de televisão e o som está disponível apenas nos sites das rádios”, explica.
João Canavilhas refere, ainda, a importância da integração, nas escolas, de disciplinas relacionadas com o jornalismo online: “Se a web é um media, então há uma linguagem jornalística própria para este meio e, como tal, deve ser ensinada e investigada no ensino superior”, finaliza.
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